EXCESSO E FALTA DE CHUVAS

O que fazer para minimizar os prejuízos causados pelo excesso de chuvas e inundações? Estes danos são consequências de ações que não foram completadas, como: em 2012 foi editado o novo código florestal, onde a ideia era levantar o passivo ambiental e determinar a implantação das matas ciliares, áreas de proteção permanente e da reserva legal, tudo informado através do CAR –Cadastro Ambiental Rural. Houve o início desta atividade e ao longo do tempo foi negligenciada a sua continuidade. Em 2015, o governo do Estado decretou o Programa Estadual de Conservação de Solo e Água, com o objetivo de melhorar a infiltração da água no solo, mantendo a água da chuva onde ela cai, com instalação de terraços em nível, implantação correta do Sistema Plantio Direto, através de cursos para atualização de profissionais de campo e dias de campo com os produtores rurais. Novamente houve descontinuidade na troca de governo e tudo parou. A natureza demonstra isto. Estes devem ser programas de Estado e não de governo para evitar os danos causados aqui no RS no dia 4 de setembro.

Vamos começar pelas áreas rurais. Na implantação do CAR iremos aumentar a arborização e a retenção de boa parte das chuvas em suas folhas, melhorando a infiltração das chuvas no solo. A mata ciliar é importante para reter as partículas de terra e outros restos culturais para os rios e córregos. Nas áreas das lavouras, usando o programa de conservação de solo e água, com a instalação de terraços e a aplicação correta do Sistema Plantio Direto, iremos melhorar a infiltração da água no solo, revitalizando as nascentes e protegendo as estradas rurais, que viabilizam todo o transporte das safras. As águas das estradas também não devem entrar nas propriedades rurais, se construirmos pequenas cacimbas no decorrer das estradas, as águas serão direcionadas para lá, havendo a sua infiltração. São ações de manejo do solo que trarão benefícios para todos, melhorando a qualidade da água para sedentação animal e humana e os danos causados nas lavouras por erosão. Com todo o direito o agricultor que utiliza estas práticas deve ser beneficiado por pagamentos por serviços ambientais e de créditos de carbono.

Nas áreas urbanas, temos que retomar algumas ações, como a arborização urbana, que é responsável pela retenção de parte das chuvas em suas folhas, entendendo que a árvore é um equipamento urbano e deve ter o seu espaço nas ruas. Outra ação é de diminuir a impermeabilização do solo, tanto nas casas como nos condomínios, favorecendo a infiltração das aguas das chuvas. Nos pavimentos, existem técnicas de materiais que favorecem a infiltração das águas no solo. Temos que diminuir a velocidade das águas para chegar nos córregos e rios.

Neste processo em conjunto, podemos minimizar os danos das chuvas e também das estiagens constantes, pois as águas irão seguir a sua ordem natural, sem prejuízo nenhum da produção, com pequenos investimentos, pois a maior mudança é o uso de um manejo adequado. Quanto mais tempo levarmos para tomar atitudes de prevenção, pior serão os transtornos dos prejuízos causados.

Eng. Agr. Humberto Dauber

Vice-presidente da ACSA

Associação de Conservação de Solo e Água

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